Carnaval de Salvador - José Raimundo homenageias repórter de Riachão do Jacuípe

Postado em: 21/02/2020 | Por: Ascom Salvador

A Prefeitura inaugura nesta quinta-feira (20), às 11h, a Sala de Imprensa Oficial do Carnaval, que este ano vai se chamar José Raimundo, um dos jornalistas mais experientes e queridos da Bahia e do Brasil. O espaço fica localizado na Praça Dois de Julho, no Campo Grande, próximo ao Camarote Oficial da Prefeitura.  O prefeito ACM Neto participa do evento.

Foi contando histórias sobre comunidades no interior do Brasil que a imagem do repórter José Raimundo Carneiro de Oliveira, ou simplesmente José Raimundo, de 65 anos, ficou conhecida pelo público em todo o país. Mas, para quem trabalha com o filho ilustre de Riachão do Jacuípe, no sertão baiano, que hoje também apresenta o programa Bahia Rural, na TV Bahia, ele é muito mais que um profissional premiado – é, também, uma pessoa conhecida pela humildade, generosidade e pelos bons papos. 

E foi uma trajetória de quase 42 anos de jornalismo que fez com que Zé, para os mais próximos, fosse o homenageado de 2020 da Sala de Imprensa Oficial do Carnaval, estrutura montada pela Prefeitura para apoio aos profissionais de comunicação que cobrem a maior festa popular de rua do mundo. 

“Olha, recebo essa homenagem com muita honra, acima até do meu merecimento. Não sei o que dizer, me sinto agradecido pela iniciativa, até por acontecer na gestão do prefeito ACM Neto, que é uma pessoa diferenciada na área da administração pública, que valoriza a cultura baiana, as festas populares e o Carnaval, além de praticamente ter reconstruído a cidade”, salientou o profissional.

Início – José Raimundo contou que a escolha pela carreira jornalística foi uma vocação natural, já que não teve qualquer membro da família atuando na área – o pai, por exemplo, era marceneiro - nem qualquer influência de uma outra pessoa na profissão. “Sempre gostei de escrever, falar no microfone, em Riachão do Jacuípe já fazia serviço de alto-falante. Talvez tenha nascido com essa vocação mesmo”.

Na segunda metade da década de 1970, já em Salvador, trabalhava como caixa no Banco do Estado da Bahia (Baneb) quando fez um teste na Rádio Sociedade, na época pertencente ao grupo Diários Associados. Como não havia vaga de locutor, ficou aguardando uma oportunidade.

“Um belo dia, o diretor da TV Itapoan entrou na redação e pediu socorro à rádio, pois o único repórter que a emissora adoeceu. Então, meu chefe falou ‘olha, tem esse menino aí, se quiser fazer um teste com ele'. E a minha primeira reportagem, em julho de 1978, foi sobre a sequência de fechamento de açougues pela Sunab (Superintendência Nacional de Abastecimento) no Dois de Julho. E daí comecei na televisão”, relatou. A partir de então, passou pela TV Aratu (então afiliada da TV Globo na década de 1980), atuou em São Paulo e Recife e voltou à Bahia em 1989.

Paixão pela TV – A preferência em atuar na TV aconteceu devido a uma identificação com o meio. “É uma rotina de trabalho estressante, mas desafiadora. O relógio é sempre um adversário, principalmente em matérias do dia a dia, mas isso acabou fazendo parte da minha trajetória. Gosto desses desafios, de testar, aprender e executar”, revelou.
                              
Dentro do jornalismo televisivo, o coração bate mais forte por matérias ligadas ao meio ambiente, investigativas e com assuntos populares, que representem uma interlocução entre a TV e as comunidades mais carentes. “Essa interlocução me atrai bastante. Gosto de conversar, ouvir e aprender com as pessoas, de abordar temas em comunidades carentes que precisam de voz, por exemplo, em denúncias de corrupção. Reportagens principalmente com as pessoas mais humildes, pois me identifico muito com essas pessoas e aprendo com elas”, destaca José Raimundo.

Transformação – Da primeira cobertura do Carnaval de Salvador, em 1979, lembrou da pauta diária dos blocos, com foliões que usavam mortalhas e das pessoas fantasiadas nas festas em clubes sociais. “Lembro que o que mais me encantava era o encontro dos trios na Praça Castro Alves, comandados por seu Osmar e filhos e onde apareciam Gil, Caetano, Baby, Pepeu e até mesmo Jimmy Cliff, momento mágico que fez a praça parar a ver o show”.

Com a folia soteropolitana em evolução, surgiu um período considerado pelo repórter como de “segregação social”, no qual só quem tinha dinheiro comprava abadá para curtir as atrações, e quem não tinha ficava espremido pelos blocos. Hoje, vê um Carnaval mais democrático, com mais apresentações, mais trios e a Prefeitura patrocinando as atrações para o povo.

“Hoje eu acho que a folia voltou a ser mais popular, mais ampliada. É uma festa onde as pessoas extravasam, se entregam à alegria, e em Salvador isso é feito de forma peculiar, como um momento de aproveitar a vida, a alegria personalizada atrás do trio elétrico. A pipoca mesmo é a coisa mais bonita de se ver. Quem não gosta de ver Bell, Ivete ou Claudinha puxando a pipoca?”, avaliou.

No início da carreira, mesmo com o trabalho no Carnaval, José Raimundo contou que dava um jeito de curtir a festa. Costumava sair com o Paroano Sai Milhó, de quem é fã e amigo dos integrantes, espremido entre os grandes blocos. Como o grupo é formado por músicos, tocava algum instrumento? “Sim, radiola!”, respondeu, rindo bastante.

“Claro que gostava do Chiclete, que era Traz os Montes, Ademar (e Banda Furtacor), Luiz Caldas, pessoas do axé que sempre foram importantes para mim e para quem trabalhava, pois eram fontes de pautas. O fricote mesmo era uma dança espetacular. O Carnaval de Salvador sempre foi de lançar moda, sempre perguntávamos qual era a novidade daquele ano”.

Estrutura - A Sala de Imprensa Oficial do Carnaval José Raimundo, montada na Praça Dois de Julho, no Campo Grande, contará com toda a infraestrutura necessária para atuação dos profissionais de comunicação credenciados, com mesas, computadores e acesso à internet, nos mesmos moldes de uma redação. Além disso, haverá um espaço reservado para coletivas de imprensa.

www.comunicacao.salvador.ba.gov.br
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