Capim Grosso dividida entre a Economia e a Saúde

Postado em: 31/03/2020 | Por: Br324

Capim Grosso fica situada a 270 km de Salvador, um eixo rodoviário que liga todas as regiões do Brasil e já ultrapassou 30 mil habitantes há muito tempo e vem sofrendo os efeitos da pandemia do coronavírus desde “ o dia em que a terra parou”, assim como cidades do mundo inteiro. Sua economia é baseada no comércio e tem sua estrutura de Saúde Pública condizente com seu tamanho e atende toda a região. A Prefeita Lydia Pinheiro assinou o decreto 045/2020 que proíbe a abertura de comércios, exceto os essenciais e com restrições no atendimento. E é chegada a hora da escolha entre Economia estável ou a Saúde dos moradores, quatro contornos com apenas duas saídas, um todo dividido em duas partes, a favor ou contra o isolamento social.

 

Para o Economista e Professor Francisco Queiroz, Doutor em Desenvolvimento Regional e Urbano, atua na Universidade Federal do Recôncavo da Bahia e na Faculdade Adventista da Bahia – FADBA. Especialista em Mercado Financeiro e mestre em Gestão Pública também leciona na UFRB e na FCG em Capim Grosso, em entrevista ao site br324.com.br disse que o comércio, principalmente de municípios pequenos, está sofrendo muito com as medidas de isolamento social determinadas pela Organização Mundial da Saúde, Ministério da Saúde e diversos Governadores e prefeitos no combate a pandemia que assola o planeta. Na cidade de Capim Grosso o impasse e o descontentamento dos empresários e dos trabalhadores informais, como não poderia ser diferente, está muito grande. Comentou ser necessário apresentar alguns dados econômicos do município. Analisando o IBGE(2017)(2019) e do CAGED (2019), em Capim Grosso com uma população de 30.662 pessoas, estima-se que a cidade tenha cerca de 4000 pessoas assalariadas formalmente, 850 empresas instaladas e um PIB próximo a 400 milhões de reais, a 76ª cidade mais rica da Bahia. O setor de comércio, com cerca de 240 milhões em faturamento ano, corresponde a 60% da atividade econômica do município. Por outro lado, a prefeitura teve em 2019 uma receita de 69,2 milhões de reais.

 

Capim Grosso resistiu a crise econômica que acometeu ao Brasil de 2015 a 2019, enquanto a união vivenciou 2,2 milhões de desempregados e na Bahia 113 mil pessoas perderam o trabalho formal, o município numa dinâmica própria, aliada a políticas locais saudáveis conseguiu até gerar postos de trabalhos, cerca 352 novos empregos formais. Mas toda esta dinâmica econômica está fortemente ameaçada por um inimigo invisível que vem derrubando as economias mais sólidas do mundo – O coronavírus – COVID-19”, comentou.

 

Para o economista a medida de enfrentamento do COVID-19 mais recomendada em todo mundo é o isolamento social, o fechamento do comércio e de todas atividades econômicas não essenciais. “Mas isso tem um alto custo, amplia a crise econômica, deixa os trabalhadores informais sem renda, sem ter o que comer, e os comerciantes sem capacidade de honrar seus compromissos”. Então se instaura um conflito, que por hora se ampliou com a fala do presidente da república no último dia 26 de março, quando o mesmo criticou o fechamento das cidades.

 

“Aos amigos capimgrossenses afirmo que para recuperamos desta crise temos que observar os exemplos da Itália e da Espanha, de início eles desconsideram o vírus em nome da economia e por tal irresponsabilidade estão contando milhares de corpos dia-a-dia. Senhores e senhoras, de que adianta salvar um barco, se perdermos a tripulação. A melhor ação econômica neste momento é dar um passo para trás, para depois darmos vários passos para frente. Ou seja, economicamente, a melhor opção é o isolamento social, pois isso vai dar folego a rede de saúde para enfrentar o vírus e nos permitir voltar às nossas atividades o mais rápido possível”, continuou.

 

Professor Francisco alertou que se atropelarmos o processo de controle da disseminação do vírus, corremos o risco por exemplo de ter 1000 a 1500 mortes só em Capim Grosso. “Será que é possível compreender a gravidade do problema?”, indagou. A informação é que Capim Grosso tem 5000 pessoas acima de 55 anos, a taxa de mortalidade nesta faixa de idade pode chegar acima de 20%, nas demais faixas a média mundial é quase 3%. “Tenho certeza que não queremos uma situação dessa em nossa terra”. Atentem-se para o fato de que estamos falando de uma cidade cosmopolita, ponto de passagem para os demais Estados da Região Nordeste, “todos os caminhos levam a Capim Grosso”. Isso amplia em muito o risco da nossa população.

 

“Vamos nos unir, que o Governo Federal coloque o mais rápido possível em prática as medidas de ajuda emergencial aos trabalhadores e as empresas para que as famílias possam suportar tamanha dificuldade. Estamos vivendo um momento triste e histórico, mas não há mal que dure para sempre, por mais escura e sombria que seja a noite, sempre surgirá um novo dia. Capim Grosso, se puder #ficaemcasa!”. Finalizou.

 

Adnaldo Pereira da Silva (Dei da Farmácia), Presidente da Associação Comercial, informou que aconteceu uma reunião as 10:00h da manhã, desta terça-feira, 31, na sede da Associação Comercial com diretores e comerciantes convidados para a discussão referente ao comércio e a grande maioria pede pela abertura, mesmo com algumas ponderações, entendendo que a saúde está em primeiro lugar, mas, se o comércio continuar fechado pode ter gente com dificuldades até para se alimentarem. Dei, disse que a maioria colocou que abrindo as portas dos será preciso um empenho maior da prefeitura, em fiscalizar os vários setores do comercio. O Presidente da Associação informou que foram vistos alguns comércios abertos e que estão sem fiscalização, como: Agências Bancárias, Casas Lotéricas, Caixa Aqui, supermercados e farmácias. Muitos idosos e crianças se expondo nas ruas. “Então a prefeitura não está cumprindo a obrigação diante da fiscalização, baixou o decreto e vemos agora que o comercio possa fazer a sua parte, que venha abrir outras lojas, com a prefeitura fazendo sua parte, ajudando, fiscalizando e cobrando, pois, o comércio irá fazer a sua parte. Precisa colocar a Guarda Municipal, voluntários, Policia Militar também pode dá a colaboração para a abertura das portas e com maneiras de atendimento para cumprimento da lei e ordem. A parte de higienização foi discutida e pode ser feita, um processo discutido e organizado, entendemos a situação um momento de cuidado e medo, no mundo inteiro. Estamos fazendo aquilo que é preciso para ajudar, mas, que também sejamos atendidos”, finalizou.

 

O Coordenador da Vigilância Epidemiológica, Magbi Rangel, defende tecnicamente o fechamento dos comércios e a continuidade do isolamento social, pois continua a diminuir a mobilidade das pessoas, deixam de transitar sem necessidade e pessoas oriundas de outras localidades, pessoas que receberam parentes de outros município deixam de circular, porque o comércio está fechado e assim se evita aglomerações de pessoas, “inclusive se um comerciante atender alguém portando algum sintoma a gente vai ter o bloquei fácil, pois saberemos a loja que ele passou, sendo uma maneira mais técnica de se lidar”, explicou. Magbi defende também o isolamento social pois segundo ele, nas próximas duas semanas serão de picos do surto da pandemia, a maior curva de infecção será agora, nas duas primeiras semanas do mês de abril. Salientou que o fechamento do mercado pelo menos nos próximos dez dias até que se passe o momento de risco e vai abrindo o comercio na medida do possível. Segundo o coordenador os casos estão aumentando e muita gente vem de outras cidades que apresentam casos e infelizmente muitas pessoas não querem ficar em casa em quarentena e isso fica complicado até saber quem chegou de São Paulo ou de cidades próximas. “Com o comercio fechando poucas pessoas correm o risco de contagio, pouca gente vem de fora e entraria na cidade”, explicou. “Poderemos ter caos, mas, não em quantidade absurda quanto se o comercio estiver aberto”.

O site br324.com.br também buscou contanto com o Presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares de Capim Grosso, Godofredo Oliveira Gomes (Godô do Sindicato), para saber sobre a posição da entidade, que informou que o sindicato se encontra fechado desde o dia 20 de março em virtude do novo Coronavírus, já que a maioria do seu público são pessoas idosas ou com crianças de colo. “Sabemos que o momento é crítico e de grande dificuldade financeira para toda população, mas precisamos mesmo é estarmos saudáveis para que em breve possamos voltar a nossa rotina normal”.

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