Serra Preta - Braquistone acaba com o reinado de Ademir

Postado em: 23/01/2012 | Por: Mário Ângelo

Foram 28 anos no controle do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Serra Preta. Ademir de Sena Duarte, além de fundador, era presidente e controlava praticamente todas as ações sindicais de perto. Os Diretores eram meros empregados da presidência durante todos esses anos. Talvez, Ademir aprendeu com os prefeitos centralizadores de Serra Preta o modo Ademir de governar, onde o Prefeito controla os vereadores como se fossem funcionários do executivo. Sendo assim, O Diretor que se rebelava era expurgado do quadro através de manobras maquiavélicas. Assim aconteceu com vários, o mais recente foi à expulsão de Cal do PT.

Ademir parecia imbatível. Desde a fundação, venceu adversários fortíssimos. Para fica em apenas alguns episódios clássicos, citaremos os caso de Raquel da Lagoa e Cal do PT. Ademir venceu Raquel da Lagoa, que tinha como padrinho político Zelito Leite, prefeito na época. Zelito já tivera sofrido manobras de Ademir, pois participara da fundação do Sindicato e perdeu espaço dentro da instituição. “As primeiras carteiras de associados eu ajudei a fazer”, lembra Angélica, esposa de Zelito. Ademir era tão forte que venceu uma eleição hospitalizado. “Eu sofri um acidente de carro, mas mesmo assim ganhei as eleições”, afirma Ademir numa das várias conversas que tive com ele sobre a formação do Sindicato.

Outro episódio que Ademir saiu vitorioso foi à disputa com Cal do PT. Cal era Diretor, mas tentou dar seus próprios vôos. Numa abertura de asas, acabou sendo “badogado” por Ademir. Nesta disputa, o prefeito Adeil e sua esposa, mais os desafetos que Cal tinha dentro do PT, apoiaram Ademir, enfraquecendo Cal, que acabou sendo vitimado num processo confuso do ponto de vista jurídico. Cal do PT não teve direito a ampla defesa e também os associados não sabiam o que de fato acontecia quando Ademir os convocaram. “Vim aqui para escolher entre Cal e Ademir”, muitos achavam que se tratava de uma eleição. “Eu já entrei na Justiça e estou esperando as providências legais”, informou Cal do PT.

O Caso Subaé-Brasil

Durante este episódio, Cal julgou mal a situação política de Ademir. Este era Vice-Presidente de um Banco Cooperativa, com Sede em Serra Preta, mas sua operação de fato envolvia empresários e fortes agiotas de Feira de Santana. Uma série de escândalos veio à tona, inclusive ocupou os noticiários da imprensa baiana. O volume de dinheiro que o Subaé-Brasil movimentava impressionou muita gente. Dizem que o rombo do Banco ultrapassa 20 milhões (o processo ainda continua em andamento). Cal aproveitou o escândalo e potencializou a situação contra Ademir, através de entrevistas na mídia. A parceria dos dois ficou insustentável. Cal conta com o apoio da Diretora Dandinha, mas Ademir consegue forte apoio dentro do Sindicato, inclusive da base administativa e do próprio Braquistone.

A Criatura supera o Criador

Cal fora, Ademir se achava livre para continuar o reinado. Mas Ademir perde espaço e passa a construir relação política artificial. Ademir vive seu pior desgaste político no Município, mas consegue ficar a frente da presidência. Ademir ao afastar Cal do PT, ironicamente, afasta um potencial adversário, mas perde seu articulador de linha de frente.

Cal passa a executar projetos fora do Sindicato e ameaça fundar o Sindicato dos Aposentados para concorrer diretamente com o Sindicato dos Trabalhadores Rurais. Ademir traz para dentro do Sindicato desafetos de Cal, com o objetivo de formar uma trincheira humana. Com o episódio, Ademir cai de graça nas mãos de Adeil e rompe com o grupo que apoiou Angélica, candidata a prefeita em 2008. Ademir passa a contribuir politicamente com os desafetos petistas de Cal, liderados pelo vereador Edmilson. Ademir entra num jogo perigoso, pois ele agora não conta mais com aliados, mas sim com pessoas interessadas em espaço de poder e vantagem financeira. Enquanto ele monitorava os passos políticos de Cal e subestimava Braquistone, este articulava espaço político dentro e fora do Sindicato. “Braquistone só faz o que eu quero, o perigo é o doido do Cal”, afirmava Ademir. Não sabia ele que ali nascia seu próximo substituto.

Braquistone utiliza a “fórmula mágica”

Em Serra Preta, quem está no poder tem uma preocupação real com quem se destaca dentro do seu próprio governo. Dificilmente alguém sem estrutura institucional consegue derrotar quem controla a instituição. Um bom exemplo foi a vitória eleitoral que Adeil aplicou em Antonio Carneiro. A história política de Serra Preta prova que a disputa real chance de vitória é a chamada “mudança por dentro”, ou seja, se aproxima do poderoso, ganha espaço, conhece o ponto franco do mandatário e dar o golpe na hora certa. Trata-se de um fundamento da política regional que tem relativo sucesso.

Para aplicar tal fundamento, o aspirante precisa ser frio, calculista e saber à hora certa de aplicar a ação. Cal não soube, mas Braquistone fez o dever de casa perfeito. Trabalhou certinho. Soube, assim como Adeil, se colocar na posição de mudança. Ele agora não era mais o velho Diretor a serviço de Ademir, mas o homem que vai conduzir o Sindicato a um momento diferente, transformador.

Aproveitando do desgaste histórico (político e pessoal) de Ademir, Braquistone desperta o vulcão social, que alimenta no íntimo a vontade de libertação das massas, e torna-se um líder. Ele agora se fortalecer de capital político necessário. Neste momento, dinheiro, compra de votos, aliciamento já não tem mais efeito para se conquistar o poder. Só resta a vitória.

 

 

 

 

                                      

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